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A leviandade do “SaaS por IA”: quando o deslumbramento supera a responsabilidade
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A leviandade do “SaaS por IA”: quando o deslumbramento supera a responsabilidade

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Antes de tudo, vale dizer: eu mesmo já construí tecnologia usando IA. O NeubaseAI nasceu assim, com intenção real, entendimento das minhas limitações e supervisão humana.

Criar com IA não é o problema. Pelo contrário, é parte natural do futuro da #tecnologia, principalmente para quem sabe usar a ferramenta com consciência sobre o que ela pode e o que ela não consegue fazer.

O problema começa quando a faacilidade de gerar algo cria a ilusão de que isso basta para ser vendido. Quando a empolgação de monetizar cega qualquer noção de responsabilidade. Quando a pessoa olha para uma interface funcionando e ignora todo o resto, como se tela renderizando fosse sinônimo de estrutura bem construída. Nesse ponto, o entusiasmo deixa de ser inocente e se transforma em negligência com impacto direto em outras pessoas.

A coragem mal colocada de vender aquilo que não se entende

O cenário virou rotina: alguém que não entende nem um if, nunca abriu um banco de dados, nunca leu um log, monta algumas telas no Lovable e se convence de que construiu um SaaS completo.

E o mais impressionante nisso não é o sistema em si, mas a coragem de vender. Existe uma coragem mal colocada em cobrar por algo que não se compreende, em colocar dados alheios dentro de uma estrutura que não se sabe avaliar, em assumir riscos que não se sabe identificar.

Essa coragem não é ousadia empreendedora; é imprudência travestida de inovação fácil, movida por hype e ausência total de consciência técnica.

E, no fundo, isso não é muito diferente dos tão criticados gurus da internet que vendem cursos sobre aquilo que não dominam. A lógica é a mesma: transformar ignorância em produto, desde que alguém esteja disposto a pagar por ela.

O ponto crítico: muitos desses “SaaS” guardam dados de forma totalmente inline

Conteúdo do artigo

Em várias dessas plataformas, os dados não ficam minimamente estruturados. Eles ficam inline: misturados, expostos, tudo na mesma linha, sem separação adequada entre informações de pessoas ou empresas diferentes.

É como escrever dados de vários usuários na mesma página e acreditar que cada um só vai enxergar a parte que lhe interessa.

Uma falha simples mostra dados de outros usuários.

Um erro ingênuo expõe tudo.

Uma consulta mal feita revela informações que jamais deveriam aparecer para quem está usando a ferramenta.

E o mais grave é que quem cria esse tipo de sistema muitas vezes nem sabe que isso é um risco real. Acha que, se funcionou uma vez, está pronto. Mas não está — e nunca esteve.

A IA só se preocupa em entregar. Ela não mede risco.

Esse ponto precisa ficar cristalino.

  • A IA não entende impacto.

  • Não interpreta responsabilidade.

  • Não analisa risco jurídico.

  • Não avalia segurança de um endpoint exposto.

  • Não orienta sobre autenticação.

  • Não prevê falhas.

  • Não pondera consequências.

  • Ela não protege ninguém.

  • Ela não filtra perigos.

  • Ela não toma decisões éticas.

Ela apenas entrega o que foi pedido, mesmo que o que foi pedido gere um problema. Mesmo que crie algo inseguro. Mesmo que exponha dados. Mesmo que o resultado seja um desastre disfarçado de produto.

A decisão de colocar isso no mundo, de vender, de expor terceiros e de assumir risco não é da IA, é de quem está usando, e é exatamente aí que mora o perigo.

Construir é fácil. Sustentar é outra história.

Nunca foi tão simples subir uma aplicação no ar.

Difícil é garantir que ela aguente quando alguém de fato depender dela.

Difícil é garantir que seja segura quando dados reais começarem a entrar.

Difícil é garantir que não vire um passivo jurídico amanhã.

Funcionar não significa estar pronto, interface não significa estrutura, código gerado não significa produto.

E quem vende tecnologia sem entender o básico da responsabilidade que carrega não está inovando. Está colocando terceiros em risco.

A negligência tecnológica sempre cobra a conta — às vezes devagar, às vezes de uma vez.

Criar com IA é incrível. Criar sem consciência é leviano.

Eu não escrevo isso para desencorajar a criação, eu mesmo sou prova de que a IA pode ser usada de forma produtiva, inteligente e segura.

Mas existe um abismo enorme entre criar algo para estudo ou hobby e lançar isso no mercado sem entender o que está sendo entregue.

Inovação não é velocidade, inovação é consciência e responsabilidade vem antes da assinatura de qualquer cliente.

Criar com IA é válido, vender sem responsabilidade é leviano e não existe IA no mundo que neutralize esse fato.

Um alerta final — para quem compra

Se você é usuário, gestor, empresário ou alguém que está prestes a assinar uma plataforma nova, tenha cuidado.

Antes de colocar seus dados — e o seu negócio — dentro de qualquer ferramenta, entenda minimamente a estrutura por trás dela.

Pergunte-se:

  • Quem criou isso realmente entende o que está fazendo?

  • Se eu colocar meus dados aqui, eles estarão minimamente protegidos?

  • Essa ferramenta foi construída para parecer sólida ou realmente é sólida?

Desconfie de soluções rápidas que prometem muito e explicam pouco. A interface pode ser moderna o marketing pode ser convincente, mas o risco, quando existe, sempre cai no colo de quem paga.

Sua segurança não pode ser terceirizada para o entusiasmo de alguém que acabou de descobrir a IA.

E, no fim, a maior proteção é simples:

entenda onde você está colocando seus dados — antes que seja tarde.

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Sobre o autor

Toni Bitencourt, 30 anos, é fundador da Bitencourt & Co. e CEO da Nidus Assessoria de Marketing e Negócios, empresa que há cinco anos dá suporte a negócios de diferentes setores no Sul do Brasil. Há quase uma década, lidera operações que conectam marketing, vendas e tecnologia para transformar empresas em sistemas de crescimento previsível e sustentável. Especialista em vendas, gestão e estratégia de crescimento empresarial, atua como mentor de negócios e palestrante em temas ligados à cultura, processos e liderança. Vindo do marketing, cursou Engenharia antes de adentrar ao mundo dos negócios — combinação que proporcionou uma visão analítica e sistêmica na forma de gerenciar empresas e estruturar times.

Toni Bitencourt

Toni Bitencourt

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