Eficiência operacional com IA: menos gente, mais resultado e o risco de ficar obsoleto

Foto: B&Co.
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Empresas com menos profissionais e mais eficiência por pessoa já produzem igual ou mais do que antes. Num Brasil de PIB projetado em 1,83% e Selic a 13,75%, quem não reorganizar vendas, financeiro, operação e marketing em torno da IA corre o risco de ficar obsoleto.
Tive uma discussão nesta semana que me ajudou a organizar uma ideia que vinha rondando. A tendência é clara: empresas trabalhando com menos profissionais e com um coeficiente de eficiência maior entre eles. Menos gente, fazendo coisas mais eficientes e produzindo igual ou mais do que se produzia antes. É isso que a eficiência operacional com IA coloca em jogo.
Parece uma fala óbvia. Mas, quando a gente olha para dentro das empresas, a reorganização que ela exige ainda está longe de acontecer.
Eficiência operacional com IA: o que muda na conta
O modelo baseado em IA muda a pergunta. Deixa de ser quantas pessoas a operação precisa e passa a ser quanto cada pessoa consegue entregar com automação e inteligência artificial ao lado.
O movimento já aparece nos números. Segundo a Pintec Semestral do IBGE, 41,9% das indústrias brasileiras com 100 ou mais empregados usavam IA no primeiro semestre de 2024, contra 16,9% em 2022. As áreas que mais usam são administração (87,9%) e comercialização (75,2%) (Poder360, a partir do IBGE).

Lá fora, o sinal é o mesmo. No Work Trend Index 2025 da Microsoft, 82% dos líderes dizem que vão usar agentes de IA para ampliar a capacidade das equipes nos próximos 12 a 18 meses, e 33% consideram reduzir o quadro (Microsoft).
A distância entre quem usa bem e quem não usa
A IA cria uma diferença muito grande no mercado. De um lado, quem usa bem a ferramenta e automatiza processos ganha competitividade econômica: faz o mesmo, ou mais, com menos dinheiro investido. Do outro, quem não consegue competir dessa forma.

Essa segunda empresa não quebra de um dia para o outro. Ela vai ficando mais cara que o concorrente, mais lenta para responder e, eventualmente, obsoleta.
Por que isso pesa mais com a economia brasileira desacelerando
O momento torna o movimento urgente. A Selic está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro de 2026, depois do corte de 0,25 ponto decidido pelo Copom em 16 de setembro (Banco Central). E o Boletim Focus de 19 de outubro de 2026 projeta crescimento de 1,83% do PIB em 2026 e de 1,32% em 2027, com inflação de 5,22%, acima do teto da meta, e a Selic ainda em 13,25% no fim do ano (InfoMoney).
Com a economia brasileira indo mal, crédito caro e crescimento baixo, cada real investido precisa render mais. É exatamente nesse cenário que as empresas precisam fazer a reorganização para se manter competitivas e não se tornar obsoletas.

Cada área precisa se reorganizar
Não basta uma área adotar a ferramenta. Cada tipo de operação precisa entender como vai agregar a inteligência artificial aos seus processos:
Vendas: SDRs de IA que fazem o primeiro contato e qualificam o lead, BDRs apoiados por IA nas ligações de prospecção, automações dentro do CRM e a IA avaliando quais deals têm qualidade e potencial, um trabalho que antes pedia uma pessoa dedicada só a isso.
Financeiro: conciliação bancária, cobrança e contas a pagar e a receber automatizadas. Muitas vezes o financeiro tem um processo moroso demais, que envolve muita gente ou muitas horas, e que pode ser otimizado com IA.
Operação: compras e reposição feitas por automação e IA, com o pedido saindo a partir do giro e do estoque real, sem alguém conferindo planilha item por item.
Marketing: produção de conteúdo com ferramentas de IA. Hoje já é bastante viável fazer não só peças, mas vídeos, o que muda muito a dinâmica da equipe e do custo de produção.
A mesma avaliação vale para os fornecedores, de todas as áreas. Dá para manter os parceiros de hoje. Mas, se um fornecedor segue num modelo antigo, sem basear a entrega no modelo otimizado que a IA permite, ele tende a praticar um preço que não converge com o mercado atual. E o mercado atual já consegue entregar qualidade igual, ou até superior, por preços mais competitivos.
Não é colocar IA em tudo
Isso não é aquele papo de que, agora que existe IA, tudo tem que ser IA. Não se trata de fazer porque está em voga ou porque é cool ter coisas de IA. Trata-se de entender onde a mudança tem impacto real, principalmente do ponto de vista financeiro.
Se um processo funciona de maneira eficiente, não tem por que mudar: ele se mantém. O ponto é analisar onde, de fato, técnicas e estratégias dessa nova economia podem ser aplicadas, e quanto isso devolve em custo, margem ou capacidade.
Os negócios vão precisar se remodelar. Repensar os seus modelos com base em automação e IA é o que permite enxugar a operação sem perder entrega. A IA não deixa ninguém obsoleto sozinha. Fica obsoleto quem não consegue competir com quem a usa bem.

Diagnóstico de eficiência com IA
Esse diagnóstico é uma das soluções que a B&Co. pode discutir e entregar para a empresa se tornar competitiva e se manter competitiva nesse cenário. Ele olha a empresa pela lente da economia baseada em IA e responde onde reorganizar faz sentido, e onde não faz:
Processos: o que cada área faz hoje, o que já funciona bem e deve ficar como está, e o que é tarefa repetitiva que a automação pode assumir.
Impacto financeiro: quanto cada mudança devolve em custo, margem ou capacidade, para investir só onde o retorno é real.
Fornecedores: quais contratos ainda seguem um modelo antigo e um preço que não converge com o que o mercado já entrega com IA.
Pessoas: onde o profissional rende mais com IA ao lado e como a estrutura da equipe muda.
Prioridade: por onde começar, com o ganho esperado de cada passo.
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Prefere e-mail? Escreva para contato@bitencourtco.com.
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Sobre o autor
Toni Bitencourt, 31 anos, é fundador da Bitencourt & Co. e CEO da Nidus Assessoria de Marketing e Negócios, empresa que há cinco anos dá suporte a negócios de diferentes setores no Sul do Brasil.
Há quase uma década, lidera operações que conectam marketing, vendas e tecnologia para transformar empresas em sistemas de crescimento previsível e sustentável.
Especialista em vendas, gestão e estratégia de crescimento empresarial, atua como mentor de negócios e palestrante em temas ligados à cultura, processos e liderança.
Vindo do marketing, cursou Engenharia antes de adentrar ao mundo dos negócios — combinação que proporcionou uma visão analítica e sistêmica na forma de gerenciar empresas e estruturar times.

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